Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais é debatida no Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais
O Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais realizou, na última quarta-feira, 4 de março de 2026, uma importante discussão sobre a implementação da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais durante sua reunião ordinária mensal. O encontro colocou em pauta a regulamentação da política no estado, instituída pela Lei 15.138 de 2025, considerada um marco histórico para pessoas que convivem com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa em todo o Brasil.
A presença do tema na agenda do Conselho representa um passo relevante para transformar uma conquista legislativa em ações concretas dentro do sistema público de saúde. Para milhares de pacientes, o avanço dessa discussão significa a possibilidade real de melhorar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento adequado e ao acompanhamento contínuo que essas doenças exigem.
Durante a reunião, foi destacada a importância de avançar na regulamentação da política em nível estadual. Embora o assunto tenha mobilizado conselheiros e representantes da sociedade civil, o Ministério da Saúde não enviou representante para participar presencialmente do debate. A participação da pasta se limitou ao envio de um ofício ao Conselho.
Mesmo diante dessa ausência, o encontro reforçou um ponto central. A regulamentação da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais nos estados é um passo essencial para que os direitos previstos na lei se tornem realidade no cotidiano do Sistema Único de Saúde. Sem essa etapa, as diretrizes previstas na legislação permanecem apenas no papel.
A aprovação da Lei 15.138 de 2025 representou uma conquista significativa para pacientes com doenças inflamatórias intestinais. Essas enfermidades são crônicas, imunomediadas e ainda não possuem cura. Exigem acompanhamento médico contínuo, acesso regular a medicamentos muitas vezes de alto custo, exames especializados e o suporte de equipes multidisciplinares.
Em Minas Gerais, dados obtidos pela DII Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação, em março de 2025, revelam a dimensão desse desafio. Mais de 17.800 pessoas vivem com Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa no estado. Por trás de cada número existe uma história marcada por desafios no diagnóstico, no tratamento e na convivência com sintomas que impactam profundamente a qualidade de vida.
A Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais foi criada justamente para organizar e fortalecer a rede de cuidado voltada a esses pacientes. Entre seus principais objetivos estão ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, garantir tratamento adequado e contínuo dentro do SUS, melhorar a organização da rede de atenção especializada, promover a capacitação de profissionais de saúde e estimular a produção de dados epidemiológicos sobre as doenças inflamatórias intestinais no país.
Para que esses objetivos se concretizem, entretanto, a regulamentação nos estados é indispensável. É nesse momento que se definem fluxos de atendimento, responsabilidades institucionais e estratégias que permitirão transformar a política em serviços efetivos dentro das redes estaduais de saúde.
Durante o encontro também foi reforçado o papel fundamental dos Conselhos de Saúde na construção das políticas públicas no Brasil. Esses espaços representam uma das bases da participação social prevista na estrutura do Sistema Único de Saúde.
O Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais, assim como os conselhos existentes em todo o país, reúne representantes de usuários do SUS, profissionais de saúde, gestores públicos e entidades da sociedade civil. É nesse ambiente de diálogo que são construídas decisões que orientam o funcionamento das políticas de saúde.
Quando pacientes e organizações participam dessas discussões, a política pública se aproxima da realidade. As experiências vividas no dia a dia ganham voz e ajudam a orientar decisões que podem transformar o cuidado oferecido a milhares de pessoas.
No caso das doenças inflamatórias intestinais, essa participação se torna ainda mais relevante. Trata-se de condições complexas, que exigem atenção especializada e políticas bem estruturadas para garantir qualidade de vida aos pacientes.
Diante da ausência de representantes do Ministério da Saúde durante a reunião, o Conselho decidiu que o tema será novamente pautado em um próximo encontro. A expectativa é que a nova sessão conte com a presença tanto do Ministério quanto da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.
A participação dessas instituições é considerada essencial para avançar na regulamentação da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais no estado. Com a presença dos gestores responsáveis, será possível aprofundar o debate sobre estratégias de implementação, financiamento das ações e organização da rede assistencial destinada aos pacientes.
A nova data da discussão ainda será definida e será divulgada em breve.
A reunião também reforça um princípio que está no coração do SUS. A saúde pública brasileira foi construída sobre a base da participação social. Qualquer cidadão pode acompanhar e participar das reuniões dos Conselhos de Saúde.
Para pacientes com doenças inflamatórias intestinais, estar presente nesses espaços significa muito mais do que acompanhar uma pauta administrativa. Significa participar diretamente da construção das decisões que impactam o próprio tratamento e o futuro da assistência em saúde.
Quando pacientes ocupam esses espaços, a política pública ganha rosto, história e propósito. Cada participação fortalece a busca por um sistema de saúde mais sensível, mais eficiente e mais preparado para atender quem convive com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.
Nos próximos dias será divulgada a nova data da reunião em que a regulamentação da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais voltará à pauta do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais. A expectativa é que pacientes, familiares, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil acompanhem esse momento decisivo.
A construção de políticas públicas sólidas nasce do diálogo, da transparência e da participação. E cada voz que se soma a esse processo ajuda a fortalecer a luta por uma assistência mais digna e eficaz para milhares de brasileiros que convivem diariamente com doenças inflamatórias intestinais.
