Infliximabe subcutâneo é incorporado ao SUS para Doença de Crohn com fístula perianal

Infliximabe subcutâneo é incorporado ao SUS para Doença de Crohn com fístula perianal

Infliximabe subcutâneo é incorporado ao SUS para Doença de Crohn com fístula perianal

O dia 15 de setembro de 2025 marcou uma vitória histórica para as pessoas que vivem com Doença de Crohn no Brasil. O Ministério da Saúde publicou, no Diário Oficial da União, a Portaria SECTICS nº 68/2025, que incorpora o infliximabe subcutâneo ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da Doença de Crohn com fístula perianal.

Esse avanço é resultado direto da mobilização coletiva de pacientes, familiares, médicos, associações e apoiadores, que participaram da Consulta Pública da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS).

O que significa essa conquista?

O infliximabe já é um medicamento utilizado em sua forma intravenosa para o tratamento de várias condições, incluindo a Doença de Crohn. Porém, sua versão subcutânea traz vantagens importantes:

  • Mais praticidade e conforto para os pacientes, que podem administrar o medicamento em casa, sem a necessidade de longas horas em centros de infusão;

  • Maior autonomia e qualidade de vida, já que o tratamento não fica restrito ao ambiente hospitalar;

  • Potencial de ampliação do acesso, especialmente em regiões onde a logística para infusões é mais complexa.

Para quem convive com a Doença de Crohn com fístula perianal, condição que pode ser dolorosa, debilitante e de difícil tratamento, essa incorporação representa um novo horizonte de cuidado.


O papel da participação popular

Essa vitória só foi possível porque milhares de pessoas se engajaram na Consulta Pública da CONITEC. Durante esse processo, pacientes compartilharam relatos pessoais, médicos apresentaram evidências científicas e familiares reforçaram a importância de alternativas terapêuticas mais acessíveis.

Esse exemplo comprova que a participação da sociedade é essencial para fortalecer a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no Brasil. Cada voz conta, e cada contribuição tem o poder de influenciar decisões que impactam diretamente a vida de milhares de pessoas.

E agora, o que acontece?

Com a publicação da portaria, inicia-se um prazo de  180 dias para que o infliximabe subcutâneo esteja efetivamente disponível nos serviços públicos de saúde. Isso significa que, até o primeiro semestre de 2026, as Secretarias Estaduais de Saúde deverão organizar a distribuição do medicamento para os pacientes elegíveis.

A DII Brasil acompanhará de perto cada etapa desse processo, cobrando transparência e agilidade, para que essa conquista não fique apenas no papel.


A necessidade de atualizar o PCDT da Doença de Crohn

Embora a incorporação do infliximabe subcutâneo seja um passo fundamental, o desafio está longe de terminar. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença de Crohn não é atualizado desde 2017.

Na prática, isso significa que o documento oficial que orienta o tratamento está desatualizado e não contempla avanços recentes da ciência. Além do infliximabe subcutâneo, é urgente que o PCDT seja revisado para incluir também os já incorporados:

  • Ustequinumabe;

  • Vedolizumabe.


O compromisso da DII Brasil

Há 10 anos, a DII Brasil atua de forma incansável na defesa dos direitos das pessoas com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa. Essa vitória reforça a importância do nosso trabalho coletivo e a força da mobilização social.

Seguiremos acompanhando a implementação da Portaria nº 68/2025 e lutando pela atualização imediata do PCDT, para que todos os pacientes tenham acesso às melhores opções terapêuticas disponíveis.

Nos próximos meses, manteremos nossos canais de comunicação atualizados com informações sobre os prazos, orientações práticas e novidades em relação à distribuição do infliximabe subcutâneo no SUS.


A incorporação do infliximabe subcutâneo ao SUS é mais do que uma conquista.  É uma vitória da sociedade, que mostrou que quando pacientes, médicos, amigos, familiares e toda sociedade civil  participa ativamente das consultas públicas, mudanças acontecem.

Esse é um passo importante para melhorar a qualidade de vida de quem convive com a Doença de Crohn com fístula perianal. Mas ainda temos um caminho a percorrer para garantir que todos os tratamentos reconhecidos pela ciência estejam disponíveis para a população brasileira.

A DII Brasil reafirma seu compromisso de ser a voz ativa dos pacientes junto às autoridades de saúde. Somos pacientes trabalhando por pacientes. A paixão pela causa é o que nos move.